Che passou a viver com uma jovem revolucionária cubana, com quem se casaria, e, no governo de Fidel, teve enorme importância na execução de práticas inspiradas tanto no socialismo marxista, quanto em outros filósofos esquerdistas da época. Implementou o Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA), que, em essência, seria a gênese da Revolução Cubana, com o Departamento de Industrialização, e auxiliou na elaboração da Lei de Reforma Agrária. Entretanto, Fidel relutava em proclamar a Revolução Cubana como sendo socialista, já que muitos que a integravam não eram socialistas. Isto somente ocorreu anos depois, chegando a dizer: "Sou marxista-leninista e o serei até morrer (...)". Depois, criou o Partido Comunista Cubano.
Che era uma figura incomum e exercia uma influência quase mística sobre as pessoas, reunindo em torno de si um número cada vez maior de discípulos, mas vivia modestamente, como se ainda vivesse clandestinamente nas serras cubanas, e trabalhava até tarde da noite. Che desagradou a ala moderada do Movimento 26 de Julho, pelas práticas visivelmente comunistas e violentas, mas prosseguiu com o trabalho, contando com a confiança de Fidel, que, aos poucos, controlava todo o Movimento 26 de Julho e instituições cubanas.
Vallegrande lavanderia onde o corpo de Che foi colocado em exibição pública.
Che foi enviado por Fidel a vários países, como representante de Cuba. Entre outros, visitou a URSS e China, potências comunistas que divergiam. Foi nomeado, também, presidente do Banco Nacional de Cuba, encontrando tempo para continuar a escrever artigos e livros, e visitar países da América Latina, com intenções revolucionárias, principalmente Argentina e Brasil. Em 1964, deixou Cuba e regressou ao campo de batalha, mais propenso ao modelo comunista chinês, enquanto Fidel estreitava os laços econômicos com a URSS, de quem Cuba tornaria-se dependente por mais de duas décadas.

Che experimentou derrotas táticas, como no Congo e, mais tarde, na Bolívia, onde foi capturado. Em 9 de outubro de 1967, foi executado. Segundo a lenda, suas últimas palavras foram, dirigindo-se ao executor: "Sei que você veio para me matar. Atire, covarde,você só vai matar um homem." Seu corpo foi ocultado.
A morte de Che transformou-o em marte da Revolução Cubana e de outras revoluções vindouras. Mais que isso, passou a ser um mito mundial, um exemplo. A célebre fotografia de Alberto Korda, em que captou Che olhando ao horizonte, de boina, cabelos revoltos e barba desgrenhada, com expressão de revolta, indignação, em 1960, é a marca indelével do médico de família rica, porém, falida, que tornou-se guerrilheiro, abdicando do convívio familiar para dedicar-se à revolução, sem jamais desistir dos ideais.

Trinta anos depois da execução, Cuba festejou o encontro dos restos mortais de seu filho adotivo e herói da revolução. Entretanto, segundo diário do oficial encarregado de ocultar os corpos executados, disponibilizado por sua viúva, o local do encontro não era o mesmo do ocultamento, porém, não havia indicação precisa do local real. Ou seja, é possível que o corpo do mito Che Guevara ainda esteja oculto, quarenta anos depois de sua morte.
http://elsonteixeiracardoso.blogspot.com/2007/06/resumo-sobre-biografia-che-guevara-uma.html
(Arte: Célebre fotografia de Che Guevara, captada por Alberto Korda, em 1960)
(Elson Teixeira Cardoso)