segunda-feira, 12 de março de 2012

Cemitério de Cães









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Para escolher o favicon de Parques e Praças de Curitiba, o processo não foi difícil. A escolha não poderia ser outra senão o portão de entrada do Passeio Público, o primeiro parque inaugurado em Curitiba. Todos os dias, centenas de pessoas passam por ali, mas muitas delas talvez não saibam que, por trás da construção do portão, há uma história muito interessante que nos leva à França do final do Século XIX.

A margem do Rio Belém ao norte do centro de Curitiba era, no Século XIX, uma área alagada e considerada foco de doenças. A solução encontrada foi a construção de um parque urbano, a exemplo dos já existentes no Rio de Janeiro, São Paulo e que começavam a se espalhar por outras cidades brasileiras.

Foi assim que o presidente da província do Paraná, Alfredo D´Estragnolle Taunay, ordenou a construção do primeiro parque urbano de Curitiba, que viria a ser inaugurado em 1886 – o Passeio Público.





O conhecido portão de entrada do Passeio Público não foi construído, entretanto, na inauguração do parque. Ele data de 1916. Nessa época, o prefeito Cândido de Abreu realizou uma grande reforma no parque (a maior até então) e ordenou a construção do portão para marcar a entrada do Passeio.

A revista A Ilustração Brasileira havia publicado, em uma de suas edições, um desenho de um portão de entrada, em estilo art-nouveau, indicado como sendo do Cemitério de Cães de Paris. Esse modelo foi escolhido para inspirar o portão de entrada do Passeio Público e foi assim que o Cemitério de Cães francês ingressou na história de Curitiba.

O Século XIX presenciou uma mudança, para melhor, na forma como o ser humano tratava os animais. A primeira Sociedade de Proteção aos Animais surgiu na Inglaterra em 1824 e logo elas se espalhariam pelo mundo. No final do século, a atriz francesa e ativista pelo voto feminino Marguerite Durand (foto) uniu-se ao advogado Georges Harmois para fundar a sociedade que, em 1899, inaugurou aquele que é considerado o primeiro cemitério de animais do mundo.




O Cimetière des Chiens (Cemitério de Cães), na verdade, não fica em Paris, mas sim em Asnières-sur-Seine, cidade na região metropolitana a noroeste da capital francesa, na margem esquerda do Rio Sena, hoje com 83.300 habitantes. Vincent Van Gogh retratou em suas pinturas diversas paisagens de Asnières-sur-Seine. Durand e Harmois adquiriram do Barão de Bosmolet o terreno para a construção do cemitério, que também não é só de cães: os mais de cem mil animais lá sepultados incluem também gatos, aves, cavalos, macacos, tartarugas, gazelas, porquinhos-da-índia e até peixes.



O portão de entrada do Cemitério de Cães foi projetado por Eugène Petit, arquiteto parisiense conhecido por diversas obras na capital francesa no Século XIX. Ele foi o responsável pelo desenho que inspirou o nosso Passeio Público. O portão foi reformado em 2001, para devolver-lhe as características originais.

Diversos monumentos ornamentam o Cemitério de Cães de Asnières-sur-Seine. O primeiro deles, inaugurado em 1900 (foto), homenageia Barry, um cão da raça são-bernardo que morreu em 1814 após salvar quarenta pessoas isoladas pela neve nas montanhas. Em 1912, foi inaugurado o monumento aos cães policiais mortos em ação. Nele estão sepultados diversos cães, alguns condecorados e com anos de serviço.

Ao lado do monumento a Barry, encontra-se a placa em homenagem a Moustache (“Bigode”, em francês), o cão mascote do Exército de Napoleão entre os anos de 1799 e 1811. Moustache acompanhou os veteranos e chegou a ser apresentado a Bonaparte. Diz a História que Moustache apresentou sua saudação militar ao imperador, levantando a pata à altura das orelhas.

Como nos cemitérios humanos, existem em Asnières túmulos ornamentados com esculturas ao lado de outros mais simples. Diversos animais ilustres podem ser encontrados nas sepulturas do Cemitério. Rin Tin Tin, o astro do cinema (que era francês), foi sepultado em Asnières-sur-Seine (foto ao lado), assim como os cães de estimação das princesas Lobanoff, da Rússia, e Elizabeth, da Romênia. Cães das trincheiras da Primeira Guerra Mundial e o próprio cavalo da fundadora do Cemitério, Marguerite Durand, de nome Masserau (foto abaixo), são outros animais ali sepultados.





Mas não apenas sepulturas de animais famosos podem ser encontradas no Cemitério de Asnières-sur-Seine. As histórias se multiplicam quando se trata dos animais menos conhecidos, como o cão Loulou, que salvou uma criança de afogar-se em 1895. Loulou tinha na ocasião apenas nove meses de idade e problemas em uma das patas. A mãe do menino fez o túmulo para homenagear o cachorro herói.

E as histórias não param por aí… Em 1958, um cão anônimo veio morrer junto ao portão de entrada do Cemitério (o mesmo que inspirou o nosso Passeio Público). Ganhou um monumento; ele foi o 40.000º (quadragésimo-milésimo) animal a ser sepultado no Cemitério de Cães.

Assim como o nosso Passeio Público, o Cemitério de Cães de Asnières-sur-Seine também passou por fases difíceis. Em um momento de crise em 1986, seus diretores chegaram a anunciar seu fechamento. O governo local, porém, interveio e conseguiu o tombamento do cemitério em 1987. Desde 1997, o Cemitério de Cães é administrado pela Prefeitura de Asnières-sur-Seine.

Se você for à França, o Cemitério de Cães (4, pont de Clichy, Asnières-sur-Seine) abre diariamente, exceto às segundas-feiras, das 10 horas às 16h30 (no verão, o horário se estende até às 18 horas). O cemitério fecha nos feriados, exceto no dia primeiro de novembro. O ingresso custa 3,50 euros, crianças de seis a doze anos pagam 1,50 e menores de seis anos não pagam. Os visitantes recebem ao entrar um mapa impresso do cemitério, que pode também ser baixado no site da Prefeitura de Asnières-sur-Seine.



As imagens do Cemitério de Cães foram gentilmente cedidas pela Prefeitura de Asnières-sur-Seine.




fonte: http://www.parquesepracasdecuritiba.com.br

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